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Por Pedro Anderson
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5 de janeiro de 2026
Nos últimos anos, a Receita Federal deixou de atuar de forma reativa e passou a trabalhar com tecnologia, dados e inteligência fiscal. Em 2025, esse movimento se intensificou — e, em 2026, o nível de monitoramento será ainda maior. Na prática, isso significa uma coisa: o Fisco cruza informações em tempo quase real e identifica inconsistências antes mesmo de qualquer fiscalização presencial. Para o empresário, o risco não está mais em “ser fiscalizado”, mas em ter divergências automáticas que geram: multas imediatas; bloqueio de créditos tributários; questionamentos sobre incentivos fiscais; impacto direto no caixa e no planejamento tributário. Neste artigo, você vai entender de forma simples: como funciona o cruzamento de dados; quais áreas estão no radar da Receita e o que fazer para proteger sua empresa. O que é o cruzamento de dados, na prática? O cruzamento de dados acontece quando a Receita Federal compara informações enviadas por múltiplas fontes para verificar se tudo bate. Entre essas fontes estão: Notas fiscais eletrônicas (NF-e); Declarações fiscais e trabalhistas (DCTF, eSocial, DIRPF) Movimentações bancárias e transações via PIX; Informações de plataformas digitais e marketplaces. 👉 Exemplo simples: Se sua empresa declara R$ 50 mil de faturamento, mas clientes, bancos e plataformas digitais informam R$ 70 mil, a diferença aparece automaticamente nos sistemas da Receita. Hoje, o cruzamento de dados funciona como uma auditoria permanente, silenciosa e automática Por que a fiscalização será ainda mais intensa em 2026? Existem dois motivos principais: 1️⃣ Integração total dos sistemas financeiros por conta da Reforma Tributária: PIX, cartões, marketplaces e instituições financeiras alimentam bases de dados que se conversam entre si. O resultado é um mapeamento completo da movimentação financeira das empresas. 2️⃣ Fiscalização mais estratégica e direcionada A Receita não fiscaliza todo mundo. Ela identifica padrões de risco, inconsistências recorrentes e vai direto onde há maior probabilidade de erro ou uso indevido de benefícios fiscais. Ou seja: menos fiscalizações gerais e mais autuações certeiras. Onde a Receita está olhando com lupa? 1️⃣ Movimentações financeiras via PIX e cartões Atualmente, movimentações acima de determinados valores passam a ser monitoradas automaticamente: R$ 5.000 para pessoas físicas; R$ 15.000 para empresas. Isso inclui: transferências via PIX; pagamentos com cartão de crédito e débito; outras formas de movimentação financeira. Se os valores movimentados não estiverem compatíveis com o faturamento declarado, o alerta é gerado. 2️⃣ Plataformas digitais e marketplaces Vendas online, prestação de serviços digitais e aluguéis por plataformas estão no centro do radar. Plataformas como Airbnb, Mercado Livre e Amazon repassam informações diretamente à Receita Federal. 📌 Exemplo prático: Um contribuinte que recebe R$ 20.000 em aluguéis pelo Airbnb e não declara esse rendimento pode ser identificado automaticamente — mesmo que tente justificar depois. 3️⃣ Uso incorreto de incentivos e benefícios fiscais Incentivos fiscais são legais e estratégicos — quando bem utilizados. O problema é que qualquer divergência entre: o que está na legislação; o que está na contabilidade; e o que foi declarado ao Fisco, 📌 Exemplo prático: Se uma empresa utiliza um incentivo fiscal fora das regras ou sem respaldo contábil adequado, o sistema identifica a inconsistência, gerando ajustes, glosas e multas. Para finalizar: A Receita Federal não depende mais de denúncias ou fiscalizações presenciais para identificar erros. Os dados falam por si. Empresas que não revisam sua estrutura fiscal, contábil e financeira correm riscos silenciosos, que só aparecem quando já viraram autuação.
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